Hoje ao me deparar com o tema morte estive pensando justamente no que fica quando deixamos nossa ambiência física. Não entrarei no mérito de nenhuma religião, que tem em suas doutrinas a obrigação de dar uma possível explicação para este por vir. Afinal para que as religiões foram criadas a não ser para dar um suposto alívio para as questões além desta vida, ainda não explicadas pela Ciência?
Pensei,
esta é uma questão que aflige muitas pessoas que há tanto tempo foram ensinadas
que para serem felizes e completos eram necessárias certas atitudes de consumo, acúmulo
de bens, compras de imóveis, investimentos na carreira, mas não disseram para
elas que suas existências eram finitas. Mas que sacanagem, depois de tudo que
se luta para vencer, tudo simplesmente acaba? Desculpe-me em revelar esta bendita
ironia da vida, a morte. A vida só tem sentido por que existe a morte, já
pensou se fôssemos eternos. Irão me dizer nossa quem quer morrer? Direi o
sentido da vida está na morte!
Uma vez que entendo que a morte é uma
certeza inevitável eu me lanço para vida. Lançar-se para a vida é olhar para a
mesma como possibilidade, dar sentidos e significados. Dirão os pessimistas: “O
homem é um ser para a morte.” Eu completo o homem é um ser para além da morte!
Talvez seja até mesmo necessário acreditar nisso. Acreditar que existe algo
além me faz viver de forma controlada, sem tantas ousadias.
Não podemos ser tão ousados, por que
não podemos errar. Viver no mundo moderno requer assertividade e isso é fonte
de adoecimento, um sintoma, um efeito colateral do sistema capitalista. Quantas
pessoas andam por ai sem saber realmente quem são? Perderam o sentido da vida
ou estão experimentando a morte ainda vivas?
A vida é como a chama de uma vela,
ao acendê-la a mesma queima com vigor, com o tempo a chama torna-se constante e quando próxima do fim reduz sua luminosidade até se exaurir. Enfim acabou? Ainda resta a cera da vela um pequeno vestígio desta
vida que iluminou o ambiente e os contextos por certo tempo. Carregamos conosco
tantas luzes que já se apagaram e que ainda nos afetam em nossos comportamentos,
comprovando justamente que somos para além da vida, olhe para o olhar de alguém
que já perdeu alguma pessoa muito próxima, pergunte-a se lembra de algum hábito
desta pessoa perdida, aprecie a chama da vela.
Fonte da imagem: https://pensamentoemextincao.files.wordpress.com/2012/12/vela.jpg

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