sexta-feira, 22 de março de 2019

EXISTÊNCIA PLÁSTICA


Não estou preocupado com a estética.
Estou preocupado com o conteúdo.
A estranha mania do imediato nos seduz.
Enquanto o olhar para o futuro é incerto.
Resta-nos a nostalgia do que se foi.

O momento inoportuno que respiramos,
Provoca-nos a sermos.
E é aí que tudo se depreende,
O lugar em que temos de ser.
Afinal, não foi isso que nos ensinaram?

O lugar de não ser é sempre um lugar velado.
Sombrio, escuro, ausente, do nada.
O lugar de não existir.
De “sub-existir”.
Anônimo.

Com toda dor, com toda angústia,
Meus olhos se debruçam
Para o lugar que sempre me exige ser melhor,
e este lugar, vai além desta roupa,
Deste espelho, deste status, desta forma.

Entender que sou incógnita,
Que neste corpo em transição,
Sou vírgula e ponto final.
E as vezes umas certas reticências.
Descubro que ser, também é ser um ainda não.
                                              
Na plasticidade da existência
Trago à tona o que é mais duradouro
Duradouro, mas finito.
O ser.
Existir também dói, requer coragem.
Ressoamos no tempo, efêmeros.
Até que ouvidos desatentos não vibrem mais.
   Autor: Wanderson Farias

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