Quando nascemos
deveríamos sair com a tarjeta escrita Frágil. Quantas vezes nossos
pais nos disseram para sermos fortes e principalmente assertivos e que qualquer
mera demonstração de sentimentos seriam interpretadas como fraqueza. Assim ao
detectar estas limitações vi que tudo isso era uma grande bomba relógio prestes
a explodir. Não nos ensinaram a sermos sensíveis, a pensar em hipótese, a
perceber o olhar do outro, a entender o quão este outro nos afeta, nos muda,
nos desconstrói. E ainda por cima até hoje o capitalismo vende a ideia de que é
possível vivermos sozinhos sem este outro constituinte.
Lembro-me de minha
infância quando não tínhamos muito e o quintal era nosso maior parque de
diversão, os cães eram companheiros, tínhamos plantações, tínhamos frutas
saudáveis no quintal. Hoje em dia acimenta-se estas
áreas como sinal de requinte, veda-se tudo e às vezes tentamos fazer isso
também com as pessoas que nos cercam. Vivemos tentando ter o controle e
cristalizar o outro, e assim cometemos o pior de todos os erros.
Não somos dono do
outro, não conseguimos dominar seus desejos, este outro é mutável e variante e
essa variante não pode ser calculada e muito menos prevista por nenhum cálculo
estatístico, não há desvio padrão que consiga prevê-lo.
A vida é assim, corre
pelos nossos olhos, cada suspiro a possibilidade em se fazer tudo diferente.
Agora te pergunto quem nunca pensou que poderia mudar o mundo? Quantas vezes
você não se questionou desse poder? Nunca se esqueça o céu pode ser o limite
mas não deixe de lembrar o quão frágil, limitado e dependente dos outros de sua
vida.
