Certa vez li um artigo em uma revista
que dizia o seguinte: “ Quem tem amigo não precisa de Psicólogo.”. Isso me
provocou e por isso trago um olhar a respeito desta posição, mesmo entendendo
que não preciso defender a Psicologia, ela por si só se garante como Ciência.
Ao pensarmos o processo de
Psicoterapia, muitas vezes nos deparamos com questões delicadas que nos exigem
muita sensibilidade e humanidade perante a pessoa que sofre. Embarcar no mundo
de outros nos faz crescer, mas isso não é unilateral, ambos se aproveitam desta
troca. Se é que podemos chamar o processo terapêutico de “Troca” no sentido
literal da palavra, mas de uma coisa tenho certeza, todos saem “mexidos” no
processo.
Isso me faz ligar a luz vermelha.
Conceito de amigo: uma relação
intima afetiva que se desenvolve por um conjunto de características compartilhadas
(valores éticos, sociais e crenças, dentre outros.)
- O amigo é confidente. E não tem nenhuma obrigação de guardar esta confidência, a não ser a obrigação moral.
- Ele pode vir a ter um olhar ‘viciado” perante a sua existência, falas como: “Você não é capaz de fazer isso, você nunca fêz isso. ”
- Seu olhar pode ser um olhar de juiz, afirmando se você está certo ou errado. (Muitas das vezes é o que menos precisamos quando estamos em sofrimento.)
Este lugar de amigo é um lugar
que se confunde muito com o lugar do Psicoterapeuta. Afirmo não é igual.
- O Psicoterapeuta deve ser “continente” para o seu paciente. (Ser um porto seguro)
- A relação com o Psicoterapeuta deve ser uma relação profissional e regida por regras claras apresentadas e construídas com o Paciente que não ferem o código de ética do Psicólogo.
- Toda a relação é mediada por um contrato terapêutico, com intervenções que devem ser amparadas pela abordagem Psicológica escolhida.
Assim não preciso me delongar
para elucidar o quão diferente é esta relação. O Psicoterapeuta traz consigo um
conjunto de vivências e experiências que fazem toda diferença em sua prática
profissional. Lembro-me de muitos pacientes que já passaram pelo meu caminho e
que ainda sim vivem em mim.
Sim, “Vivem em mim. ” Cada paciente atendido,
amparado, habita em mim, muda em alguma instância a minha própria versão de
sentido. Hoje não calculo a quantidade de paciente que já atendi, embora posso
levantar estes dados, mas exclamo que são muitos e que cada um em sua
singularidade mudou meu olhar perante o que é humano. Hoje ao me deparar com
uma pessoa em sofrimento já possuo um grande espectro para acompanha-la nesta
caminhada única e repleta de desafios.
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| http://asearadoamor.blogspot.com.br/2014/06/perguntas-respostas-sobre-o-mestre.html |
Quando falo que não precisamos de um
amigo, não descarto a necessidade humana que temos de interagir, trocar,
desenvolver, mas neste caso falo de um “Encontro” aqui entre aspas, uma vez que este é um
conceito da Psicologia, “ ... sendo aquela relação que de alguma forma muda o
rumo da minha existência.” e que faz toda a diferença em nossas vidas.
Mudar a
vida, muda o sofrimento, mudar a percepção, mudar o sentido, afinal a vida é um
continuo vir-a-ser. A Psicologia é uma ciência do acolhimento, do cuidado, da
Esperança. A Psicoterapia foi e sempre será um lugar de Encontro.
Desejo a você uma vida de Encontros.
Um forte abraço e até a próxima!
Wanderson Tadeu - Psicólogo
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